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terça-feira, 1 de novembro de 2011

CERIMÔNIA DO CHÁ- ENCONTRO PRESENCIAL


A cerimônia do chá japonesa (chanoyu 茶の湯, lit. "água quente [para] chá"; também chamada chadō ou sadō, 茶道, "o caminho do chá") é uma atividade tradicional com influências do Taoísmo e Zen Budismo,

Às  margens do Guaíba vivenciamos uma experiência de encantamento e fruição...
Um coletivo, a presença forte  e sábia da sensibilidade...

Nos reportando a Marleau- Ponty, "o olhar se faz pelo corpo num entrelaçamento de sentidos, percepções e consciência”.

Nesta experiência olhamos o outro, nos olhamos, um olhar mais demorado pela forma, pelo local e pelas provocações.
O cha wan tornou-se mítico, concebido, parido de nosso corpo.
Sentimos a sua presença como um objeto de afeto.
Foi mais um encontro. Um comovente encontro.
Uma experiência de fruição.
Uma experiência estética
Percepções.

Uma celebração...      
   
    
 
                                                                                                                                                               

PERCEPÇÃO ESPACIAL E PLANEJAMENTO

Modelado por placas
Artistas que utilizam está técnica

Ana Flores
Nathan Lynch
Concepção de Casa...

Casa? Busca na Wikipédia... ”Casa do latim casa, ou residência do latim residentia: uma parede artificial construída pelo ser humano, cuja função é constituir-se um espaço de moradia, para que indivíduos estejam protegidos dos fenômenos naturais exteriores... além de servir de refúgio contra ataques de terceiros...” uma construção cultural... arquétipo da habitação, ato de morar...Sinônimo de lar? Privacidade? Propriedade? Família?

Conceber uma casa, poetizar no projeto, pensar as possibilidades surreais... No primeiro esboço do projeto ainda no papel, pensei uma casa com movimento, que pudesse ter luz direta (não contando com os tais fenômenos naturais como a chuva).

Não progredi nos próximos desenhos. A “não realidade” teve maior proporção do que a necessidade do tal indivíduo. Sobre “ataques de terceiros”... sobre construção cultural, poderíamos nos remeter as cavernas...às primeiras habitações naturais, adornadas pelas pinturas rupestres,culturais sim...

No barro tive dificuldades de produzir as placas. Grudava muito, num primeiro momento ficaram finas demais, usei uma garrafa como rolo. Aos poucos consegui dar a forma e espessura que desse sustentação.A idéia de triângulos e retângulos não poderiam fazer parte de minha construção.Fui pensando em curvas, em uma casa refúgio, com frestas, com sol ....

Surreal e não verdadeira como concepção de casa, mas numa arquitetura de aconchego, sem porta... Fui tentada em desmanchar e refazer para um projeto com possibilidades de “proteção” contra intempéries, mas resisti. Acho que as experiências que estamos vivendo com o barro, também devem desconstruir conceitos de segurança e insegurança do objeto.Dá para re fazer, re ver, re pensar.O barro continua ali disponível, apto...
O barro se coloca a disposição de nosso tato, o contato é vivo, inacabado. Este experimento também foi espaço de extrema fruição. Água e argila, permissão de mudanças constantes.






















PERCEPÇÃO ORGÂNICA

Modelado por Rosca/Acordoamento
ARTISTAS QUE USAM ESTA TÉCNICA


carustoCarusto Camargo (Br)



GurvichJosé Gurvich (Ur)


PERCEPÇÃO ORGÂNICA

Modelado por Rosca/Acordoamento

Objeto inspirado na natureza- A modelagem desta proposta foi também muito prazerosa. Fazer os “rolinhos”, sentir o barro indo e vindo conforme a pressão da mão, conforme o movimento tornou-se uma brincadeira. Minha argila ainda não é a indicada, mas penso que consegui melhorar “consciência” do toque neste material.

Sobre a inspiração que desenvolvemos durante esta experiência: Percebo, nesta fase de “entendimento” com o barro que o “material” em si, como matéria em transformação, nos remete para um tempo primitivo, para um lugar de poder “pegar”, mexer, brincar...

Não sei, pode ser um tempo com uma dinâmica de encantamento, experiências que podem demorar-se sem um relógio impositor...

Também pode ser o deleite da infância. Tenho muito presente na minha memória de afeto, a curiosidade, o fascínio que fazia parte de minhas investigações na casa de minha avó materna. No campo, as histórias que ela me contava sobre as casas do pássaro João de Barro.Lembro muito bem.No meu ideário, na fruição da arquitetura deste pássaros, eu pensava sobre o interior destas casinhas.Imaginava divisões, salas, e quartos para cada passarinho da família...portinha interna....corredores....Era mágico, acho que ainda é mágico.O material usado, a forma de transporte...(o bico), o suporte para a casa (árvore)...impossível não encantar-se...Hoje tenho no meu pátio, uma casa de João de Barro, é alta...mas ainda penso no projeto interno da casinha, e ainda penso nas histórias de minha avó.São argumentos de saudade com sabor,cheiro e visões...

Esta proposta me levou por aí... por uma tentativa de representar a entrada da casa do pássaro, talvez uma possibilidade de imaginar o interior... do objeto, da casa , ou meu.














CORPO DO AFETO

              Modelado Maciço Ocado
ARTISTA QUE USA ESTA TÉCNICA
RodiRodi Núñez
Um corpo de afeto...

Estou vivendo experiências inéditas com o barro. Este espaço tridimensional, a criação deste espaço, a fruição desta dimensão é muito nova. É um novo olhar como expectador e como protagonista...

A proposta do trabalho “Corpo de afeto”, nos remete a um pensar de relevância de afetos: O que é afeto? Como sou afetada? No coração estaria a possibilidade de afeto? Um corpo.

Tentei em minha construção, não ceder a um exercício de representação. Fiz tentativa de uma forma que nos aproxima do “coração”, mas que propõe movimento.Imaginei uma dinâmica de desprendimento,uma transformação pouco simétrica, talvez uma cena.

Pensei uma textura de “não pronto”, como estivéssemos em constante construção, um entorno de afetos. Um coração com gestos.Um cotidiano e não uma memória guardados.Afeto vivo, constante.Um corpo.

Um corpo feito de presenças e não de lembranças. Um afeto vivo “esboçado”.

Quanto à “técnica”, a argila não é ideal, consegui aqui na região onde moro. Estou há dois dias aguardando uma secagem para realizar a ocagem.Não sei. Percebo a argila ainda muito mole, talvez em função dos dias de chuva seguidos.

Minhas tentativas de expressão foram experimentadas em algumas formas. O objeto construído foi uma experiência importante.

Hoje, fiz a ocagem no objeto. A superfície tornou-se dura e difícil de iniciar o corte.Não usei jornal, talvez tenha exagerado no tempo de espera.A união de volta das partes demorou e foi preciso usar mais barro “mole”.Fechou, acho que manteve a textura inicial sem alisar.Refiz.

Fotografei todo o processo. Não venci a tentação e fotografei a sombra fazendo parte do corpo construído.Gosto de sentir esta “deformação” inédita dos objetos.Na projeção se parece mais efetivamente com um coração.

Gostei. Me senti muito tranqüila.Experiência prazerosa num contato de experimento, das mãos ,das texturas, da maneira de tocar e das possibilidades, da dimensão que este toque permite ou não nas diversas fases do barro.

Penso que meu corpo de afeto ficou “afetivo”...
























PERCEPÇÃO DO CORPO

                            Modelado por Pressão
        Aula no Instituto de Artes -UFRGS - Cha Wan
       
      


Chawan (taça)


O chawan (茶碗) tem sua origem na China e era feito para beber chás, foi trazido ao Japão entre o período Nara (710~794) e o período Heian (794~1185) junto com o hashi e recebeu algumas adaptações

Beber chá é um costume introduzido no Japão, no século IX, na forma de chá de infusão (団茶, dancha) por um Monge Budista Eichu (永忠), quando retornava da China ao Japão, aonde conheceu a Erva, de acordo com a lenda, após 200 anos. O chá tornou-se a bebida mais consumida no Japão, e cultivada em seu próprio território.

LABORATÓRIO DE LINGUAGEM TRIDIMENSIONAL

Um ateliê em Candelária...
Um nicho de poesia e sensibilidade ...este é o ambiente que visitamos...





                                                    ATIVIDADE GERAL- 01
Nome e endereço do local: Trata-se de um ateliê de uma artesã local, que possui uma formação acadêmica que não concluiu, mas sua produção é resultado de muitos cursos na área e de uma sensibilidade bastante presente nos seus depoimentos e obras.

Não costuma comercializar seus produtos além da associação de artesões da cidade e, portanto, afirma que sua atividade desenvolve-se pelo envolvimento que possui com o barro, com a mágica desta transformação, além das constantes leituras que faz. Diz-nos que muitas vezes a produção torna-se repetitiva e perde um pouco a autoria quando adquire o compromisso e precisa produzir com os prazos de comercialização.

Diz que não necessita desta atividade para ganhos materiais e, portanto, utiliza-se de seu ateliê para vivenciar momentos prazerosos e suas peças é resultado disto. Identifica-se com peças com muito movimento e “vazados” criando móbiles, esculturas , totens e algumas peças de colares de adereços

Minha impressão, durante a visita para conhecer seu ateliê que fica, no terreno de sua casa, provoca estas mesmas sensações descritas. Verônica fala do barro de sua “poética” de uma forma comovente.Relata a emoção que teve quando adquiriu seu forno para queima e revela seu desejo de reunir pessoas para “mexer” no barro...

Nome do proprietário: Verônica Klafke. Rua 7 de setembro, 389, Candelária, RS-CEP 9693000.

Telefone/email/contato: 51 3743 3174

Existe um forno? Sim o forno elétrico

Qual a temperatura de queima aproximada? A capacidade do forno é de 1230, mas ela nos diz que utiliza 980.
Que tipo de barro trabalha? Verônica usa terracota de nossa cidade, Candelária, nossa argila.

Usa barro que manda buscar em São Paulo, compra da “Pascoal “e prefere “Chamote”
O barro é da própria região ou vem de fora? Vem de São Paulo e alguma coisa daqui da região
Existe disponibilidade para queimar o seu trabalho neste forno? Sim, quando pode organizar com antecedência , ela queima trabalhos de outras pessoas.