sábado, 25 de junho de 2011

Enigmas-Tributo à Regina Silveira

Enigmas-Tributo à Regina Silveira


Sobre o que estamos pensando em nosso vídeo?Por que este tema?O vídeo transmite nossa idéia?...

Por todo caminho minha sombra está... fragmento da música da Pity,Sombras.

Mas que seriam sombras?Dissimulações? Pensei neste tema, explorei outras formas, fiz e refiz imagens. Um contato com imagens em movimento, uma escuta mais atenta do entorno.O que poderia gerar um olhar expansor? Esta investigação de imagens que se movem que possam contar uma história é um processo de manipulação?

“Transformar o óbvio em inesperado”, como nos diz Boltanski? Estaríamos negando a imagem inicial, colocando nosso olhar na sombra?Nossa moldura e nosso foco é um processo seletivo e, se somos “fabricantes de sentidos” como nos diz Mirian Celeste Martins, somos agentes de nossas escolhas.

Regina Silveira e sua encantadora forma de “brincar” com a deformação das imagens, com os objetos não reais, com uma presença que evoca uma coisa que não está nos propõe um olhar demorado nesta poética.

No vídeo, que chamei de “Enigmas-Tributo à Regina Silveira”, percorri um caminho de pensar a distorção como uma nova possibilidade, de perceber na desconstrução uma construção, um sentido novo, diferente. Os elementos surgiam na projeção não como fantasmas, mas com almas, como figuras ingênuas.As imagens foram “capturas”.Um mundo estranho,presenças e ausências com sentido.Nosso olhar despido do outro, como nos diz Arnaldo Antunes, é possível? Regina Silveira e seus trabalhos sempre me seduziram e as nossas experiências são as geradoras de nossas relações, por isto tentei buscar a destruição da imagem inicial e a construção da imagem ilusória, próxima, significante, pensada. Imagem sentida.

Escutei a água no esguicho e me extasiei com a sombra projetada. O barulho e a imagem se fundiam, com as folhas, com o balanço com o movimento.Nunca tinha pensado na imagem da água.Uma água não azul, não com ondas, mas com sombra, com projeção...O cão, imagem de afeto, sem nome, agora sombra,estranhamento.O embalo da rede, uma ausência?Presença da imagem, da fotografia, do texto. O fio do varal, não seriam linhas desenhadas na parede de propósito aguardando uma fotografia? Emaranhados que lembram um pouco Boltansky e seus experimentos de luz. Eu, o vento e o movimento.Seriam como a “geometria do absurdo” da Regina Silveira...

Poderia pensar mais.Poderia surgir outros vídeos. Um inventariar de olhares.Perceber as sombras ,atravessar os personagens, são sempre recortes.Penso no vídeo como uma recriação,tornar diferente.Imagem objeto,fusão,movimento.Um entorno , um novo estado das coisas.

Um comentário: